Agora sim, dentro do trem e de posse de todos os pertences, fui em busca de minha cabine. Primeiro fui deixar as bicicletas presas no espaço destinado a elas, e dei sorte que estava tudo vazio, então eles não importaram com as duas malas.
Ao comprar a passagem, o velhinho esqueceu de informar que eu iria dormir na “cama”, chegando na cabine informada me deparo com 2 triliches, com um espaço entre as duas mínimo, quase não dá pra você ficar normal, você tem que entrar de lado! As bagagens ficam no chão, debaixo das camas, e ainda tem um pouco de espaço próximas as 2 camas superiores. Quando eu fui retirar o casaco e me preparar para “dormir” tive que empurrar o meu mochilão pra debaixo da cama, ao fazer força escutei um barulho de quebrado, aí fiquei todo preocupado com o óculos que estava naquele local em questão. “Dormi” pensando sobre os óculos, e na verdade nem dormi direito. Com toda sorte que tenho, fui dormir na última cama de cara pro teto, e te digo que é muito difícil dormir no trem. Até que não é muito barulhento, mas o problema é que constantemente o trem pára e fica em uma estação por muito tempo sem motivo aparente. Quando você acorda, pensa, “daqui a pouquinho o trem vai andar denovo”, e ele não anda! Aí você cochila, quando menos espera o trem entra em movimento e lá vai você acordando denovo!
Então, 30 minutos antes da minha parada, o chofer bate no vidro da minha cabine e avisa que falta pouco tempo para chegar ao meu destino.
Cheguei em Frankfurt em uma estação secundária, foi aí que eu descobri que tinha que pegar dois metrôs ainda para chegar ao Aeroporto. Imagine você ficar entrando e saindo de trem com esse tanto de tralha... toda hora a porta fechava comigo saindo ou entrando no trem, pois eu sempre tinha que levas as mochilas primeiro, pra depois pegar as bicicletas.
Quando chego na estação central, descubro que faltava apenas 10minutos para o meu trem até o Aeroporto. Então tratei de apressar para chegar até a minha plataforma, pois eu cheguei na de número 08, e eu teria que atravessar todo o saguão para chegar na de número 22. Eu até tentei carregar tudo de uma vez grande, eram quase 70 kg de tralha. Fiz o possível e levei 2 mochilas e uma bike. Aí voltei correndo, deixando tudo por lá mesmo para buscar a próxima bike, quando eu passei correndo, vi vários policiais indo em direção onde deixei as duas mochilas e a mala bike. Aí pensei na hora, quando eu voltar eles irão checar tudo. Não deu outra, quando cheguei lá tinham 2 policiais já abrindo minhas coisas. Eu disse que tudo aquilo me pertencia, e eles já vieram falando grosso, dizendo que não é certo deixar as coisas sem vigilância e tal. É de se entender, tudo abandonado eles acham que é bomba. Eu tenho dó do povo europeu e americano, a todo tempo eles se acham vítimas, de “terrorismo”...
Após chegar meu passaporte, ligar na central e passar o número pelo rádio, eles me deixaram seguir viagem, o trem já estava quase saindo denovo!
Assim, cheguei ao Aeroporto, já eram 08h da manhã! O meu vôo estava programado para 21h da noite! Passei só esse tempinho no aeroporto, esperando pelo check-in abrir e eu me desfazer logo daquela tralhada! A todo lugar que eu ia, me olhavam com surpresa por causa da quantidade de bagagem, o carrinho passava com dificuldade entre as pessoas. Foram horas intermináveis, sem ir ao banheiro até que às 15h o check-in da TAM abriu e me desfiz das malas. Só fiquei com a mochila com os notebooks e o Playstation.
A viagem depois disso foi tranqüila, exceção de São Paulo onde fiquei de molho na fila do raio-x por 1 hora, era bem cedo e já estava fazendo 26ºC!
Ao chegar a Belo Horizonte, fui presenteado pela Receita Federal, que ficou muito feliz de me ver com 2 bicicletas e uma tralhada de eletrônicos. Eles estavam com muita fome de dinheiro e queria que eu pagasse a multa sobre tudo que eu trouxe, mas mostrando as notas fiscais, tudo era usado, e de uso pessoal na Dinamarca, mas o computador da minha Irmã, e a máquina digital que eu tinha acabado de comprar não teve jeito, eles meteram a faca. Quase 800 reais de multa!
Bem vindo ao Brasil!
Voltando para casa
E como não poderia ser diferente, a volta pra casa foi emocionante, cansativa, e muito difícil, mas no final a sensação de dever cumprido foi excelente. Rever a família, o seu país bem diferente de 1 ano e meio atrás foi muito interessante também.
Antes de explicar como foi a viagem, tenho que lembrar vocês como foi complicada por um detalhe pequenino: a quantidade de tralha que eu estava carregando sozinho. Nada mais, nada menos que 2 bicicletas, e tralhas de bicicletas, que estavam em mala feitas para transportá-las, cada uma pesando exatamente 23kg que era o máximo aceito pela TAM. Além disso, estava carregando um mochilão de mochileiros (óbvio NÉ!) com 20kg de algumas roupas e mais tralhas, além de uma mochila de notebook com 2 notes, e 1 Playstation 3, e mais tralhas ainda, que estava pesando 10kg. Pense na dificuldade de carregar tudo isso sozinho!


A viagem seria sair de Kolding na Dinamarca, pegar o trem até Frankfurt, de Frankfurt pegar o avião até São Paulo, e de lá pegar mais uma escala até Belo Horizonte, Minas Gerais uai!
E tudo começou na fazenda, o Christian, gerente da fazenda, me deixou na estação da cidade pois eu teria que pegar o trem até Kolding, que estava a 2 paradas da minha cidade. O trem até passava na minha cidade Vamdrup, mas não parava por lá.
Colocada toda a tralha dentro do trem, quase chegando em Kolding o primeiro revés, a mulher que cobra o bilhete estava super bem humorada, o maridão não devia comparecer a tempos, e começou a encrencar comigo sobre a quantidade de bagagem que eu estava carregando no trem... Mesmo com o ticket comprado de Kolding até Frankfurt, com até o espaço destinado a bicicletas pago, ela resolveu pegar no meu pé, eu que já estava por aqui de Dinamarca desafiei ela e falei pra ela cancelar o ticket como ela ameaçou, mas acabou que chegou a hora de descer, eu virei as costas e continuei meu caminho.
Cheguei em Kolding muito cedo, o meu trem estava programado pra chegar as 21:45, e antes das 20:00h eu já estava lá. O frio estava cortante, -5ºC, e eu não queria entrar dentro do local protegido e aquecido pois estava lotado de gente. Foram intermináveis quase 3 horas que só se passaram pois liguei para alguns amigos despedindo deles. O trem atrasou muito, e quando chegou eu fui ser cavalheiro, e deixei todos entrarem na frente, fui o último a entrar, mas nessa hora só levei as mochilas pesadas, a intenção era deixar lá na cabine reservada e voltar pra pegar as 2 malas bike. Assim que entrei no trem e vi que estava demorando muito para achar minha cabine, tive a idéia de deixar pelo chão mesmo as mochilas e buscar as bikes. Foi aí que o trem fechou as portas e começou a movimentar. Eu não sei como eu consegui abrir as portas do trem em movimento e saí gritando Wait for me! I need my bikes! Esperem por mim! Preciso de minhas bicicletas! Um anjo da guarda que trabalha dentro do trem escutou e pediu para o maquinista parar o trem e deixar eu entrar denovo. Eu estava tão desesperado e exausto que até perdi as forças para levantar as duas bikes ao mesmo tempo...
Na próxima postagem irei continuar a minha saga!
Até a próxima!
Antes de explicar como foi a viagem, tenho que lembrar vocês como foi complicada por um detalhe pequenino: a quantidade de tralha que eu estava carregando sozinho. Nada mais, nada menos que 2 bicicletas, e tralhas de bicicletas, que estavam em mala feitas para transportá-las, cada uma pesando exatamente 23kg que era o máximo aceito pela TAM. Além disso, estava carregando um mochilão de mochileiros (óbvio NÉ!) com 20kg de algumas roupas e mais tralhas, além de uma mochila de notebook com 2 notes, e 1 Playstation 3, e mais tralhas ainda, que estava pesando 10kg. Pense na dificuldade de carregar tudo isso sozinho!
A viagem seria sair de Kolding na Dinamarca, pegar o trem até Frankfurt, de Frankfurt pegar o avião até São Paulo, e de lá pegar mais uma escala até Belo Horizonte, Minas Gerais uai!
E tudo começou na fazenda, o Christian, gerente da fazenda, me deixou na estação da cidade pois eu teria que pegar o trem até Kolding, que estava a 2 paradas da minha cidade. O trem até passava na minha cidade Vamdrup, mas não parava por lá.
Colocada toda a tralha dentro do trem, quase chegando em Kolding o primeiro revés, a mulher que cobra o bilhete estava super bem humorada, o maridão não devia comparecer a tempos, e começou a encrencar comigo sobre a quantidade de bagagem que eu estava carregando no trem... Mesmo com o ticket comprado de Kolding até Frankfurt, com até o espaço destinado a bicicletas pago, ela resolveu pegar no meu pé, eu que já estava por aqui de Dinamarca desafiei ela e falei pra ela cancelar o ticket como ela ameaçou, mas acabou que chegou a hora de descer, eu virei as costas e continuei meu caminho.
Cheguei em Kolding muito cedo, o meu trem estava programado pra chegar as 21:45, e antes das 20:00h eu já estava lá. O frio estava cortante, -5ºC, e eu não queria entrar dentro do local protegido e aquecido pois estava lotado de gente. Foram intermináveis quase 3 horas que só se passaram pois liguei para alguns amigos despedindo deles. O trem atrasou muito, e quando chegou eu fui ser cavalheiro, e deixei todos entrarem na frente, fui o último a entrar, mas nessa hora só levei as mochilas pesadas, a intenção era deixar lá na cabine reservada e voltar pra pegar as 2 malas bike. Assim que entrei no trem e vi que estava demorando muito para achar minha cabine, tive a idéia de deixar pelo chão mesmo as mochilas e buscar as bikes. Foi aí que o trem fechou as portas e começou a movimentar. Eu não sei como eu consegui abrir as portas do trem em movimento e saí gritando Wait for me! I need my bikes! Esperem por mim! Preciso de minhas bicicletas! Um anjo da guarda que trabalha dentro do trem escutou e pediu para o maquinista parar o trem e deixar eu entrar denovo. Eu estava tão desesperado e exausto que até perdi as forças para levantar as duas bikes ao mesmo tempo...
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