Bornhølm - Sexta-feira 26/06 Primeiro dia

Bornhølm é uma ilha que pertence à Dinamarca, mas está bem distante do território dinamarquês, ficando ao sul da Suécia, e norte da Alemanha e Polônia. A ilha possui uma história rica, pois foi motivo de muita disputa entre a Dinamarca, Suécia e a igreja! Isso, até a Igreja entrou no meio, mas hoje a ilha pertence à Dinamarca e parece que vai continuar assim por muito tempo.
Antes de desfrutar da viagem à Bornhølm tive que passar pela parte difícil da viagem. Trabalhei 2 feriados seguidos para trocar pela sexta e segunda-feira e emendar com o fim-de-semana livre para ter 4 dias de descanso.
Saí de casa na quinta-feira, logo após o trabalho, pedalei 20km com minha bike de Freeride de 16kg, com ainda mais uns 15kg nas costas, saindo da minha fazenda até Vojens onde eu pegaria o trem com destino a Copenhague. Cheguei na capital quase meia-noite, e aí comecou o drama, tive que esperar até as 06:45 pelo outro trem que ia me levar até a Suécia, e de lá pegar o barco até Bornhølm. Fiquei na estacão até as 02h da manhã pois lá fechava a essa hora.
Saí para o centro de Copenhague e como era de se esperar encontrei a cidade muito movimentada pelos jovens bêbados chegando e saindo das festas e boates. Este fim-de-semana foi o último dia de aula, e muitos estão formando, o que reforca a comemoracão. Fiquei até as 04:45h na rua sem dormir com medo de ser roubado(na capital é um dos únicos locais onde devemos temer isso por aqui). Voltei pra estacão, e dormi lá até a hora de pegar o trem.



Chegando na Suécia, fui direto ao barco colocar a bicicleta no local destinado, um estacionamento gigante dentro do barco, para carros, motos e até ônibus. O barco é muito confortável, parece até um cruzeiro, coisa que nao vejo necessário, pois são apenas 1 hora e meia no máximo para chegar à Bornhølm.



Meu primeiro destino em Bornhølm foi Rønne, cidade portuária que é uma espécie de capital da ilha. Logo já botei o pé na estrada, digo, o pé no pedal!
São apenas 9km de Rønne até Hasle, a cidade onde fiquei hospedado em um albergue. Foi uma pedalada muito gostosa onde só andei em ciclovias, que por sinal são muito bem conservadas, e grande parte delas não são pavimentadas, o que pra mim é o charme, passando por pequenas florestas e ao longo da costa.



No albergue, desfiz logo o mochilão, tomei um banho e fui ao supermercado comprar comida. Fiz um "almoco" (macarrao, atum, milho e molho de tomate) horrível por sinal, pois o molho de tomate era péssimo. Nisso eu dormi umas 3 horinhas para recuperar as energias e peguei o rumo até o local do campeonato de montain bike, em Vang, a 6km de Hasle.
Em Vang, logo que cheguei fiquei apreciando a paisagem e tirando fotos. O campeonato tinha como início um antigo local de mineracão de granito, mas que foi interrompido a alguns anos atrás por pressão da sociedade contra a degradacão da paisagem local.





Após conversar com os organizadores, conheci o Kim, sujeito bacana que me mostrou o tracado da prova de Downhill que acabou nao acontecendo por não conter um número mínimo de competidores. Era um tracado bem técnico com 2 grandes drops que eu nao fiz no primeiro dia. Dei uma volta bem tranquilo, pois nao queria um acidente logo no primeiro dia, mas curiosamente fiz todo o percurso sem problemas, só nao fiz os 2 grandes drops na sexta, mas até fiz uma parte muito assustadora, um paredão lateral onde a trilha era muito estreita, irregular e cheio de pedras soltas, qualquer vacilo o sujeiro ia rolar uns 5 metros abaixo, e vários granitos estavam lhe esperando...
Após o caminho de volta, empurrando a bike pedreira acima, nao encontrei mais ninguém no local. Hora de voltar pra casa, pois um tombo no meio do nada sem ninguém pra ajudar não estava nos meus planos.



Na volta para o albergue, fui conhecer Jons Kapel, que é uma formacão rochosa de diabásio(nao é tão resistente como o granito, por isso ocorre essas lindas formacões pela forca do mar), onde diz a lenda, um missionário morava na regiao, e pediu a Deus uma capela, e nisso encontramos a rocha em forma de igreja.





No albergue, fazendo novamente o maravilho macarrao + atum + milho (sem molho), conheci uma família de dinamarqueses super educados e gentis. O pai Poul é uma amante do montain bike e que passou o gosto à magrela à toda família. A esposa estava com 2 bebês de nove meses gêmeos, que estava rodando toda a ilha por um carrinho de bebê especial, em forma de carrocinha, puxados por 1 bicicleta cada.
O pai tomava conta de uma, e a mãe outra.

O filho mais velho Sebastian é praticante de Downhill, e com apenas 15 anos tem alguns bons resultados e já é patrocinado por um grande importador local. O filho do meio também estava pedalando em uma bike de cross-country para criancas. Conversamos por umas 2 horas sobre bikes, Brasil e Dinamarca. Poul já esteve no Brasil 3 vezes à trabalho, mas não teve oportunidade de conhecer mais o país.

Entao de barriga cheia fui dormir, feliz por estar conhecendo e aproveitando um local tão bonito, e por estar fazendo novas amizades.

Fim-de-semana, descanso!!??-

Quando pensamos em fim-de-semana, logo nos vem à cabeca descanso, dormir até tarde, ficar sem fazer nada de papo pro ar. Ainda mais quando voce está a 500 metros da praia, só quer saber de sol, água de coco... Exagerei, aqui nao tem água de coco pra comprar, e a água do mar ainda nao está muito agradável.
Mas infelizmente não é isso que acontece quando se tem amigos! Já trabalhei 2 fim-de-semanas com os porquinhos, movendo os 600 porquinhos de um lado pro outro da fazenda, mas nesse fim-de-semana foi diferente. Eu que me candidatei ao trabalho.
Num belo Sábado de manhã, acordei cedo pois não consigo dormir até tarde, ainda mais depois de comecar a trabalhar com as vaquinhas. Sempre acordo no meio da noite achando que perdi o horário, pode paracer engracado, mas nao é!
Às 9h da manhã, estava na hora da Ariane ir trabalhar quando ela deixa escapar que ia ajudar seu patrão na colheita de batatas. Fiquei logo interessado em ir, pois ele produz apenas 1 hectare de batatas, e ele colhe bem cedo, para usar as batatinhas como conserva. O quilo sai em torno de 30 reais no comeco da estacão. Por ele ter feito um contrato prometendo entregar uma quantidade x de batatas, ele precisava de gente pra colher pois a colheita é feita com um implemento acoplado ao trator, e nós ficamos em cima da colhedora, separando batatas de plantas, pedras e batata semente.
É um trabalho meio chato, pois vc recebe jato de areia o tempo todo na cara, mas é sempre bom aprender. Demoramos um pouco mais do que o normal, pois a batata nao estava em ponto de colheita, estava muito miúda, mas como ele tinha o contrato, teve que ser colhido.

Após a batata, Anders (patrão da Gabrielle e Ariane) me convidou a colher morangos!
Sua família produz pequenas cultaras, mais como hobby, ele disse que esse dinheirinho é para viajar...
A venda desses produtos é curioso de ver, pois aqui é um país que quase não tem roubos, furtos. Eles colocam os produtos na porta de uma casa na beira da estrada, com uma tabela de precos, cabe a voce escolher, e deixar o dinheiro num pequeno cofre. Não tem ninguém vigiando ou fiscalizando! E isso não é só o Anders que faz não, todo lugar da Dinamarca voce encontra essas pequenas vendinhas ao longo da estrada.
Sua esposa, muito simpática por sinal, explicou detalhadamente os detalhes da colheita. Eles são muito exigentes na qualidade do produto, e nos cuidados na hora da colheita. Após isso ela disse o mais importante: Eu podia comer quanto eu quisesse, ela só queria que fosse colhido em torno de 30 caixas de 500gramas.
No comeco fiquei um pouco surpreso e nao estava comendo muitos, mas depois chegou o Anders e disse pra além de comer quanto eu quisesse, eu tinha que comer os maiores!
Quando vamos escutar isso de alguém no Brasil????
Comi até a barriga doer, e ainda levei ainda duas caixas pra casa! Ganhei ervilhas, morango e batatas miúda!

Afinal, um trabalho desse no fim-de-semana nao faz mal a ninguém!

Verão...

Desde o comeco da estacão, tivemos o prazer de pegar apenas 1 semana de sol. Após isso muita chuva, tempo nublado e ventania descontrolada.
Nada se compara ao tempo que peguei em Julho passado assim que cheguei na Dinamarca, onde os termômetros atingiram 30ºC.
A verdade é que nesses últimos dias estamos com temperaturas de no máximo 18ºC e as mínimas estão na casa de 8ºC. O verão aqui tá igualzinho o frio que vcs estão passando aí no Brasil, hehehe...
Interessante é a duracão dos dias aqui, onde temos quase um sol da meia-noite. O sol se põe por volta de 22h, mas continua claro até quase meia-noite. As 04 da matina o sol já está levantando.
Acostumar a isso é muito estranho, você vai dormir e ainda está claro, quando levanta de manhã para trabalhar, tudo claro ainda... Muitíssimo melhor do que o inverno onde temos pouquíssimas horas de sol, tinha dias que às 16h já estava um breu.
No verão as cidades que antes pareciam fantasmas no inverno, agora as pessoas saem de casa, ficam até tarde nas ruas, vão à piscina pública e etc. Os dinamarqueses adoram o verão, dá pra sentir a diferenca de astral das pessoas, eles cuidam do jardim e todas as casas ficam impecáveis.

Mais horas de sol nos dá chance de fazer mais atividades ao ar livre. Dar uma pedalada até as 22h com luz natural é incrível! Alguns dias atrás saí pra pedalar pela redondeza, e tentei descobrir um caminho para a cidade sem passar pela estrada.
Olhei no googlemaps, e descobri um caminho alternativo passando pela floresta da cidade. Até um certo ponto tinha caminho, depois, tive que cortar uns 2km dentro de uma plantacão! Ainda bem que o fazendeiro nao viu minha estripulia, pois ele nao ia gostar muito do que viu.

Chegando na floresta, me deparo com um bunker. Logo ao lado uma placa com as informacoes sobre o bunker, que é alemão, e fazia parte de uma grande linha de defesa construída antes da Segunda Guerra mundial, que cortava todo o território da Jutland na Dinamarca, onde na época era ocupada pela Alemanha. A linha de defesa era na época uma das mais fortes do mundo, e Toftlund está bem no centro da península dinamarquesa de Jutland, porta de entrada para o Norte do território Alemão. Dá pra entender que o pessoal aqui do sul nao gosta muito dos alemães...



Segunda-feira em Londres

Segunda foi o último dia completo para conhecer a fundo a cidade. Digo completo pois fomos embora na terca, mas só aproveitamos parte da manha, pois o vôo era às 13h.

Logo após o café da manhã, Gabrielle e Ariane me acompanharam até uma loja de bicicletas próxima ao albergue, onde eu procurava alguns acessórios para a magrela. Após alguns minutos de procura, vi que os precos nao eram tão bacanas e voltamos ao albergue para encontramos o Gustavo Cabecinha.

Pegamos um metro e finalmente acompanhamos a tal da troca da Guarda Real. Minha opinião sobre o "espetáculo" está no vídeo ao lado ----->>>
Com o fim da charanga, era hora de sair pra conhecer o castelo de Tower Hill, que é um pouco longe do centro, mas de metrô foi super rápido. O lugar é maravilhoso, o exterior do castelo está perfeitamente conservado, e o charme do lugar é a proximidade do rio Tâmisa, e a Tower Bridge ao fundo.



Infelizmente nao chegamos a entrar no castelo, pois estava lotado de turistas no local e o preco nao era convidativo. Após tiramos muitas fotos, saímos em busca de mais uma loja de bicicleta que ficava próxima.

Pegamos um ônibus, e logo estávamos na loja. Essa sim valeu a pena, os precos eram muito bons e gastei mais de uma hora pra escolher meus presentes. Capacetes, bermuda, sapatilha! Obrigado pela paciencia das meninas! Finalmente gastei algo em Londres!

Perto da loja, estava localizada a St. Paul Cathedral. Nunca fiquei tão impressionado com uma igreja fora da Itália. É gigante por fora, e de dentro a sensacao é mais incrível. É um dos locais mais bonitos que já visitei. Por dentro pude perceber a diferenca de uma igreja Católica Romana e uma Ortodoxa. São várias as figuras de pessoas importantes na história da Inglaterra, como por exemplo estátuas de grandes generais em guerras passadas. Coisa que eu nunca vi em uma igreja católica. Infelizmente nao é permitido tirar fotos dentro da igreja...



Nesse site podemos conhecer por dentro da catedral com fotos panorâmicas, vale a pena uma visita :
http://www.explore-stpauls.net/

Para finalizar o dia, voltamos ao albergue, depois daquele banho, saímos para um pub logo na esquina do albergue para comer o famoso prato Peixes e Fritas. Até que estava bem gostoso, mas nao é nada excepcional... Barriga cheia, hora de voltar pra cama, dormir, pq o próximo dia foi a despedida da terra da Rainha.

Tarde de Domingo em Londres



Domingão, após a decepcão de ir até o Queen's Palace ver a tal famosa troca da Guarda Real, passeamos pelo Green Park, que realmente é verde! Nao vimos uma flor, nada que desse outra cor ao parque, tudo estava realmente muito verde! Tinha até umas cadeiras de sol pra quem quisesse pegar uma corzinha, mas o sol nao estava ajudando!
Pegamos o metro na estacao Green Park mesmo, que fica a algumas dezemas de metros de profundidade, sei disso pq caí na besteira de subir escada ao sair de um metro, pois o elevador estava cheio aquele dia, foram incontáveis 193 degraus, numa escada em caracol que parecia nao acabar, eu estava sentindo perto do céu já!
Falando de metrô, fiquei admirado com a qualidade do servico de transporte público de Londres. São estacões espalhadas por toda a cidade, com várias linhas diferentes, e o intervalo entre os carros sao de apenas 3 minutos!
Outra opcao é pegar um ônibus, que é aquele famoso ônibus em estilo Londrino, de 2 andares, que proporciona uma vista legal da cidade.
Chegamos ao centro por volta de meio dia e tiramos a tarde toda para conhecer as lojas das famosas Regent e Oxford Street. Uma infinidade de lojas, de tudo que imaginarmos, mas como sempre, a grande maioria é de roupas e acessórios femininos!
Nao fiquei com vontade de comprar algo, pois as roupas e calcados sao muito style (bregas mesmo!). Nas lojas das grandes marcas como Nike, Adidas, Oakley sempre se vê coisas bacanas, mas realmente os precos nao são animadores, pois estávamos numa das ruas de compras mais famosas do mundo. Sendo assim, passei o Sábado e Domingo sem comprar nada, como diz o Cabeca, sem "Gastar a foia louca".
Após longa e cansativa caminhada,entramos no MacDonalds para usar o banheiro, e encontramos duas brasileiras, assim pedimos sugestoes de lugares bacanas pra comer, sem ser Fat Food. Elas indicaram um lugar pertinho, muito gostoso de comer. Era um restaurante estilo Pub, mas bem claro, com todas as paredes de vidro, que deixa toda a rua à mostra.



Após andar mais alguns minutos por lojas e mais lojas, uma paradinha para o café




Depois do café, mais lojas e cansados voltamos ao albergue, a fim de descansar, tomar um banho e voltar pra rua, finalmente conhecer a noite Londrina.
Nao foi uma boa opcao sair a noite no Domingo, pois a maioria das casas noturnas e bares estavam fechados. Andamos um bucado bom até achar uma boate aberta, mas após entrar ficamos decepcionados pois logo após 2 horas a boate fechou e tivemos que voltar pra casa... Assim, tivemos uma boa noite de sono pois a segunda-feira estava apenas comecando...

Londres



Após o Museu Imperial de Guerra, encontramos com a Gabrielle e Ariane que saíram do Madame Tussau (Museu de Cera) e fomos em direcão à London Eye, a grande roda gigante que fica no rio Thames e que é usada para observar toda a vista panorâmica da cidade, e bem próximo do Parlamento, mais conhecido como Big Ben.

Andamos bastante pelo centro da cidade, voltamos muito cansados ao hotel com a missao de descansar, dormir, pra depois sair pra night.

E... dormimos até o outro dia, ninguém teve a capacidade de sair da cama e chamar a galera pra sair...

No Domingo acordamos cedo pra fazer o programa de índio que a Ariane tanto queria fazer: Assistir a troca da Guarda Real, no palácio onde a Rainha Elizabeth mora...
Perda de tempo, estava chovendo e foi cancelado de última hora, ficou pra segunda o "desfile" dos cavalheiros...